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Mercado pet cresce no Brasil e abre espaço para serviços, saúde e experiências especializadas

Com os animais cada vez mais integrados à rotina das famílias, o setor deixa de depender apenas da venda de ração e amplia oportunidades em cuidados, bem-estar, conveniência e atendimento especializado.

Por: Redação

25/05/202611h16

O mercado pet brasileiro deixou de ser apenas um setor de venda de ração, banho e tosa. Ele passou a acompanhar uma mudança mais profunda no comportamento das famílias: os animais de estimação ocupam hoje um lugar afetivo, doméstico e econômico muito mais relevante do que há algumas décadas.

Esse movimento aparece no consumo, na rotina das casas, na busca por serviços especializados e no crescimento de negócios que atendem tutores cada vez mais atentos à saúde, ao bem-estar e à qualidade de vida dos seus animais.

Segundo a Abempet, o mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões em 2024, crescimento de 9,6% em relação a 2023. A venda de alimentos industrializados para animais de estimação respondeu por R$ 40,8 bilhões, ou 54,1% do faturamento total do setor.

O dado confirma a força do segmento, mas também mostra uma dependência relevante: mais da metade do faturamento ainda vem da alimentação. Para empreendedores e investidores, isso indica duas leituras ao mesmo tempo. A primeira é que o pet food segue como base de recorrência do mercado. A segunda é que há espaço para ampliar a oferta de serviços, saúde, produtos de maior valor agregado e experiências especializadas.

O setor, no entanto, não cresce sem desafios. Documento apresentado em 2025 no âmbito das câmaras setoriais do Ministério da Agricultura, com dados da Abinpet e do Instituto Pet Brasil, projetava faturamento de R$ 78 bilhões em 2025, mas com crescimento de apenas 3,5%, o menor ritmo desde 2019. A projeção associava a desaceleração a fatores como carga tributária, câmbio e pressão sobre custos.

Essa combinação torna o mercado pet mais interessante, não menos. Setores que amadurecem costumam deixar de crescer apenas por expansão natural e passam a exigir diferenciação, gestão, especialização e melhor leitura do consumidor.

É nesse ponto que surgem oportunidades para negócios mais qualificados.

O tutor que antes buscava apenas preço e conveniência hoje pode procurar atendimento veterinário preventivo, alimentação específica, produtos naturais, planos de saúde pet, serviços de estética, hospedagem, creche, adestramento, transporte, fisioterapia, comportamento animal, atendimento domiciliar, assinatura de produtos, e-commerce, farmácia veterinária e experiências de cuidado mais completas.

A mudança não significa que todo negócio pet terá sucesso. Ao contrário: quanto mais o setor cresce, mais competitivo fica. Pet shops independentes disputam espaço com grandes redes, marketplaces, supermercados, clínicas, franquias e canais digitais. O consumidor compara preço, conveniência, confiança, localização, reputação e experiência.

Por isso, o pequeno negócio pet precisa encontrar posição clara. Alguns competirão por proximidade e atendimento personalizado. Outros por especialização em saúde e bem-estar. Outros por conveniência, assinatura, entrega rápida ou serviços integrados. O erro é imaginar que vender os mesmos produtos, da mesma forma, para o mesmo público, será suficiente em um mercado mais sofisticado.

Oportunidade também existe na profissionalização dos serviços. Banho e tosa, por exemplo, não devem ser tratados apenas como serviço operacional. Envolvem segurança, higiene, manejo adequado, confiança do tutor, qualificação da equipe, estrutura física, agenda, experiência do animal e reputação do estabelecimento. O mesmo vale para creches, hospedagens e serviços de comportamento: o consumidor entrega um membro afetivo da família, não apenas um animal para atendimento.

Na saúde veterinária, a tendência de prevenção também ganha espaço. Consultas regulares, vacinação, exames, controle de peso, odontologia, nutrição e acompanhamento de animais idosos podem ampliar a recorrência dos serviços e melhorar a qualidade de vida dos pets. Isso abre oportunidades para clínicas, laboratórios, farmácias, seguros, planos e modelos de cuidado continuado.

Há ainda um campo importante ligado à economia da confiança. Em um segmento em que o vínculo emocional é alto, marcas que comunicam com clareza, cumprem o que prometem, tratam bem o animal e orientam o tutor tendem a construir relacionamentos mais duradouros. A confiança pode valer tanto quanto o preço.

O mercado pet também acompanha mudanças urbanas. Apartamentos menores, famílias com menos filhos, rotinas de trabalho híbrido, viagens curtas, envelhecimento da população e maior preocupação com companhia e bem-estar influenciam o modo como as pessoas cuidam dos animais. Essas transformações criam demanda por serviços mais próximos da vida real: entrega recorrente, orientação online, atendimento em domicílio, espaços seguros de convivência, produtos para ambientes pequenos e soluções para tutores idosos ou com pouca mobilidade.

A leitura de negócios, portanto, não deve se limitar ao tamanho do faturamento. O que importa é entender como esse mercado se fragmenta em necessidades específicas e como empreendedores podem construir valor sem depender apenas de volume.

A notícia positiva é que o Brasil tem um mercado pet robusto, recorrente e culturalmente forte. A leitura responsável é que a próxima etapa do setor exigirá profissionalização, diferenciação e cuidado com margem, qualidade e confiança.

Para o Bom Conceito, essa é uma pauta de negócios porque mostra como comportamento familiar, consumo, serviços e empreendedorismo se conectam em um segmento que já movimenta dezenas de bilhões de reais no país.

Quando um mercado cresce a partir de uma relação de afeto, ele precisa ser tratado com responsabilidade.

E transformar cuidado em serviço qualificado, oportunidade e confiança é um Bom Conceito.

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